Atraso na fala: sinais para observar e próximos passos
- Dra. Mônica Iovanovich
- 6 de mar. de 2021
- 3 min de leitura
Atualizado: 16 de jul.
Por Dra. Mônica Iovanovich
Médica | CRM 52-110005-0 | Atuação em Psiquiatria e Saúde Mental da Infância e Adolescência
Comparar machuca, mas esperar sem observar também não ajuda
Crianças desenvolvem fala e linguagem em ritmos diferentes, mas existem marcos que ajudam a identificar quando vale investigar. Atraso na fala não é um diagnóstico por si só. Pode estar relacionado à audição, ao desenvolvimento da linguagem, a diferenças no neurodesenvolvimento, a aspectos motores da fala ou a outras condições. A avaliação serve para entender a comunicação como um todo.
Muitas mães chegam divididas entre duas mensagens: cada criança tem seu tempo e você deveria ter procurado ajuda antes. Eu prefiro um caminho menos culpabilizante. Observar marcos não significa competir com outras crianças. Significa perceber como seu filho compreende, se expressa e se relaciona, para oferecer apoio quando necessário.
Fala, linguagem e comunicação não são a mesma coisa
Fala é a produção dos sons e palavras.
Linguagem envolve compreender e usar palavras, frases e significados.
Comunicação inclui olhar, gestos, expressões, apontar, mostrar e compartilhar interesses.
Uma criança pode falar poucas palavras e se comunicar bastante por gestos; outra pode repetir frases sem conseguir usá-las para pedir ajuda ou compartilhar uma experiência. É por isso que eu não conto apenas palavras. Observo intenção comunicativa, compreensão, interação e evolução ao longo do tempo.
Sinais que merecem conversa com um profissional
Pouco uso de sons, gestos, apontar ou outras formas de comunicação esperadas para a idade.
Dificuldade para compreender instruções simples adequadas à fase do desenvolvimento.
Pouca evolução da fala ou linguagem ao longo dos meses.
Fala difícil de compreender por muito tempo, considerando a idade.
Frustração frequente por não conseguir comunicar necessidades.
Dúvidas sobre audição, resposta ao nome ou infecções de ouvido recorrentes.
Perda de palavras, gestos ou outras habilidades já adquiridas.
A perda de habilidades já adquiridas merece avaliação sem demora. Em outras situações, não é preciso esperar a dificuldade se tornar grave para conversar com o pediatra ou com profissionais do desenvolvimento.
Ferramenta prática: três situações por dia
Por sete dias, observe três momentos: refeição, brincadeira e pedido de ajuda. Anote como a criança iniciou a comunicação, o que pareceu compreender, quais sons, palavras ou gestos usou e o que facilitou a troca. Um vídeo espontâneo e respeitoso pode ser útil, desde que você não provoque ou pressione a criança para falar.
O que ajuda em casa enquanto você busca orientação
Fale de frente para a criança usando frases simples e naturais.
Comente o que ela está olhando ou fazendo, em vez de fazer perguntas o tempo todo.
Dê tempo para a resposta e aceite gestos, olhares e sons como tentativas de comunicação.
Leia, cante e brinque com turnos curtos, seguindo o interesse da criança.
Evite pedir que repita palavras muitas vezes ou comparar seu desempenho com irmãos e colegas.
Como eu penso os próximos passos
Eu reviso a história do desenvolvimento, a comunicação, a interação, a audição e outros aspectos de saúde. Dependendo do caso, a avaliação pode envolver pediatria, fonoaudiologia, audiologia e outros profissionais. Encaminhar para diferentes áreas não significa presumir um diagnóstico; significa investigar cada parte do problema com a competência adequada.
Listas de marcos orientam a observação, mas não substituem avaliação. Procure atendimento prontamente se houver perda de habilidades ou outra mudança importante no desenvolvimento.
Fontes que usei para esta orientação
Sobre a autora
Dra. Mônica Iovanovich - Médica | CRM 52-110005-0
Sou médica, mãe e fundadora do Espaço Mentes Pequeninas. Minha atuação é dedicada a compreender o desenvolvimento e a saúde mental de crianças e adolescentes, acolhendo também as dúvidas, a sobrecarga e as decisões das famílias. Atuação em Psiquiatria e Saúde Mental da Infância e Adolescência.
Autoria e responsabilidade editorial: Dra. Mônica Iovanovich, CRM 52-110005-0. Conteúdo informativo, sem diagnóstico individual pela internet.
Quer organizar os próximos passos?
Se a fala, a compreensão ou a comunicação do seu filho preocupam você, a minha equipe pode ouvir suas observações e explicar se uma avaliação médica é um bom primeiro passo e quais profissionais podem participar do cuidado.
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