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Açúcar piora o TDAH? O que a evidência mostra

Atualizado: 16 de jul.

Por Dra. Mônica Iovanovich

Médica | CRM 52-110005-0 | Atuação em Psiquiatria e Saúde Mental da Infância e Adolescência

Quero começar tirando um peso das suas costas

O açúcar não causa TDAH, e simplesmente retirá-lo da alimentação não é um tratamento comprovado para o transtorno. Uma alimentação equilibrada é importante para todas as crianças, mas sintomas persistentes de desatenção, hiperatividade ou impulsividade precisam ser compreendidos junto com sono, rotina, escola, emoções e saúde.

Eu sei como é tentador procurar uma causa concreta quando a rotina está difícil. Uma mãe observa uma tarde agitada depois de uma festa e pensa: foi o doce. Essa associação é compreensível, mas a festa também trouxe mudança de horário, mais estímulos, expectativa, cansaço e talvez menos sono. Meu papel não é invalidar o que você percebeu; é ajudar a separar os fatores antes que a comida vire mais uma fonte de culpa e conflito.

Por que o comportamento pode mudar em dias com mais doces?

Doces, refrigerantes e festas costumam acontecer em contextos muito diferentes de um dia comum. A criança pode estar cansada, ansiosa, com fome, cercada por barulho ou fora da rotina. Algumas famílias também percebem respostas individuais a alimentos ou bebidas específicos. Quando existe uma suspeita consistente, eu prefiro observar um padrão repetido e discutir o registro com os profissionais responsáveis, em vez de iniciar uma exclusão ampla por conta própria.

Ferramenta prática: diário de sete dias

Use uma folha ou o bloco de notas do celular. Não é preciso pesar alimentos nem vigiar cada mordida. Registre apenas o que ajuda a comparar situações.

  • Horário e alimento ou bebida que chamou sua atenção.

  • Horas e qualidade do sono na noite anterior.

  • Contexto: festa, escola, fim de semana, telas ou mudança de rotina.

  • Comportamento observado e duração aproximada.

  • Outros fatores: fome, dor, ansiedade, atividade física ou medicação habitual.

Se o mesmo padrão aparecer mais de uma vez, leve o diário ao pediatra, ao profissional que acompanha o TDAH ou a um nutricionista. Diretrizes clínicas não recomendam dietas de eliminação como tratamento geral para crianças com TDAH. Quando um alimento específico parece relacionado ao comportamento, o caminho é registrar, avaliar e, se necessário, envolver um nutricionista.

O que você pode fazer sem transformar a mesa em batalha

  • Mantenha horários de refeições tão previsíveis quanto a rotina permitir.

  • Ofereça água como bebida habitual e combine limites antes de festas ou passeios.

  • Evite usar comida como prêmio, castigo ou explicação para todo comportamento difícil.

  • Observe o conjunto: sono, atividade física, telas, demandas escolares e medicação prescrita.

  • Procure orientação diante de seletividade alimentar intensa, alteração importante de peso ou crescimento, ou conflitos frequentes nas refeições.

Quando eu sugiro olhar além da alimentação

Se as dificuldades aparecem na escola, em casa e nas relações, e continuam mesmo em semanas com menos doces, vale ampliar a investigação. Em uma avaliação, eu não procuro culpados nem um alimento para proibir. Procuro entender o que está sustentando o problema e quais apoios fazem sentido para aquela criança e para aquela família.

Não faça dieta de exclusão, não use suplementos para tratar TDAH e não altere medicação sem orientação de profissionais habilitados.

Fonte que usei para esta orientação

Sobre a autora

Dra. Mônica Iovanovich - Médica | CRM 52-110005-0

Sou médica, mãe e fundadora do Espaço Mentes Pequeninas. Minha atuação é dedicada a compreender o desenvolvimento e a saúde mental de crianças e adolescentes, acolhendo também as dúvidas, a sobrecarga e as decisões das famílias. Atuação em Psiquiatria e Saúde Mental da Infância e Adolescência.

Autoria e responsabilidade editorial: Dra. Mônica Iovanovich, CRM 52-110005-0. Conteúdo informativo, sem diagnóstico individual pela internet.

As dificuldades continuam além das refeições?

Se desatenção, hiperatividade ou impulsividade aparecem em diferentes ambientes e estão prejudicando a aprendizagem, as relações ou a rotina, você pode conversar com a minha equipe. Vamos ouvir o contexto antes de falar em diagnóstico ou tratamento.

 
 
 

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