Sinais de autismo na infância: o que observar e o que fazer
- Dra. Mônica Iovanovich
- 30 de jul. de 2023
- 3 min de leitura
Atualizado: 16 de jul.
Por Dra. Mônica Iovanovich
Médica | CRM 52-110005-0 | Atuação em Psiquiatria e Saúde Mental da Infância e Adolescência
Antes da lista de sinais, quero acolher a sua dúvida
Os sinais de autismo podem aparecer como diferenças persistentes na comunicação e na interação social, acompanhadas por padrões repetitivos ou restritos de comportamento, interesses ou respostas sensoriais. Nenhum sinal isolado confirma autismo. Crianças sem autismo também podem apresentar algumas dessas características, por isso eu avalio o desenvolvimento como um todo.
Muitas mães começam a conversa dizendo que não sabem explicar, mas sentem que algo está diferente. Algumas ouviram que estão comparando demais; outras foram aconselhadas apenas a esperar. Eu levo essa percepção a sério sem transformá-la automaticamente em diagnóstico. Observar é uma forma de cuidar, não de rotular.
O que pode chamar atenção na comunicação e na interação
Responder pouco ao nome ou parecer não perceber tentativas de chamar sua atenção, considerando também a necessidade de avaliar a audição.
Usar menos gestos para mostrar, apontar, pedir ou compartilhar interesse.
Participar pouco de brincadeiras de troca, imitação ou faz de conta esperadas para a idade.
Apresentar atraso, perda ou diferenças no uso da fala e de outras formas de comunicação.
Ter dificuldade para perceber pistas sociais ou adaptar a comunicação a situações diferentes.
Padrões repetitivos, interesses e respostas sensoriais
Movimentos repetitivos, repetição de falas ou uso repetitivo de objetos.
Necessidade intensa de previsibilidade ou sofrimento importante diante de mudanças.
Interesses muito intensos ou formas específicas de brincar.
Reações muito fortes ou muito discretas a sons, cheiros, luzes, texturas, movimentos ou dor.
Busca frequente por determinadas sensações, movimentos ou estímulos.
A intensidade, a combinação dos sinais, a idade e o impacto no cotidiano importam mais do que marcar itens em uma lista. Eu também considero linguagem, audição, aprendizagem, sono, comportamento e o contexto da criança.
Ferramenta prática: mapa de observação
Durante uma semana, escolha três situações comuns: chamar pelo nome, brincar junto e mudar de atividade. Anote o que aconteceu antes, como a criança respondeu, quanto tempo durou e o que ajudou. Se for seguro e natural, um vídeo curto de uma brincadeira ou situação espontânea pode ajudar o profissional a compreender o contexto. Não provoque comportamentos nem teste a criança repetidamente.
Quando procurar orientação
Converse com o pediatra ou com um profissional do desenvolvimento quando os sinais persistirem, aparecerem em diferentes situações ou preocuparem a família e a escola. Se houver perda de palavras, gestos, interação ou outras habilidades já adquiridas, eu recomendo procurar avaliação sem adiar. Triagem não é diagnóstico; ela indica quando uma avaliação mais completa pode ser útil.
Como eu conduzo essa conversa
Eu começo perguntando sobre a história do desenvolvimento e sobre o que a criança já consegue fazer, não apenas sobre dificuldades. Escuto a família, observo a comunicação e o comportamento e, quando necessário, reúno informações da escola e de outros profissionais. O objetivo não é encaixar uma criança em uma lista. É compreender necessidades, pontos fortes e os apoios que podem favorecer sua participação e seu desenvolvimento.
Este texto é educativo. Uma página, uma escala ou um vídeo não confirmam nem descartam autismo.
Fontes que usei para esta orientação
Sobre a autora
Dra. Mônica Iovanovich - Médica | CRM 52-110005-0
Sou médica, mãe e fundadora do Espaço Mentes Pequeninas. Minha atuação é dedicada a compreender o desenvolvimento e a saúde mental de crianças e adolescentes, acolhendo também as dúvidas, a sobrecarga e as decisões das famílias. Atuação em Psiquiatria e Saúde Mental da Infância e Adolescência.
Autoria e responsabilidade editorial: Dra. Mônica Iovanovich, CRM 52-110005-0. Conteúdo informativo, sem diagnóstico individual pela internet.
Quer me contar o que você está observando?
Você não precisa chegar com uma conclusão pronta. Se houver diferenças persistentes na comunicação, na interação, no brincar ou na adaptação a mudanças, a minha equipe pode ouvir suas observações e explicar como funciona o processo de avaliação.
Amo muito meu Thiago
Meu filho é autista um amor