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TDAH em meninas: sinais que podem passar despercebidos

Atualizado: 16 de jul.

Por Dra. Mônica Iovanovich

Médica | CRM 52-110005-0 | Atuação em Psiquiatria e Saúde Mental da Infância e Adolescência

Por que eu faço esta pergunta de outro jeito

O TDAH não é definido por ser menino ou menina, mas pode ser percebido de maneiras diferentes. Algumas meninas apresentam menos comportamentos que interrompem a sala e mais desatenção, desorganização, esquecimento, fala excessiva, impulsividade emocional ou esforço para esconder as dificuldades. Quando não incomodam os adultos, elas podem receber ajuda mais tarde.

Uma frase que merece atenção é: ela consegue, mas precisa se esforçar muito mais do que parece. Às vezes, a menina mantém boas notas, copia tarefas de colegas, perde horas para começar um trabalho e termina o dia esgotada. O resultado final pode esconder o custo emocional e prático. Eu não avalio apenas desempenho; avalio o esforço, a consistência e o impacto na vida.

Sinais que podem ficar escondidos

  • Esquecer materiais, instruções ou compromissos com frequência.

  • Demorar muito para iniciar ou terminar tarefas, mesmo quando conhece o conteúdo.

  • Parecer estar ouvindo, mas perder partes importantes da explicação.

  • Falar muito, interromper, agir antes de pensar ou apresentar inquietação menos visível.

  • Ter reações emocionais intensas diante de erros, críticas ou frustrações.

  • Usar perfeccionismo, excesso de esforço ou ajuda constante para compensar a desorganização.

  • Apresentar sofrimento, conflitos, baixa autoestima ou ansiedade associados às dificuldades.

Nenhum desses sinais confirma TDAH. Ansiedade, dificuldades de aprendizagem, alterações de sono, depressão, autismo e outras condições podem produzir experiências semelhantes ou coexistir. Por isso, eu investigo o padrão desde a infância, a presença em mais de um ambiente e o prejuízo real.

Ferramenta prática: duas colunas e duas semanas

Crie duas colunas: o que os adultos veem e quanto esforço isso custa para ela. Durante duas semanas, registre exemplos curtos em casa e peça à escola observações concretas, sem sugerir um diagnóstico.

  • O que aconteceu antes da dificuldade.

  • Qual tarefa ela precisava realizar.

  • Quanto apoio, repetição ou tempo extra foi necessário.

  • Como ela se sentiu depois.

  • O que ajudou sem aumentar a vergonha ou a cobrança.

Como apoiar enquanto você observa

  • Dê uma instrução por vez e confirme o que foi compreendido.

  • Divida trabalhos longos em etapas com começo e fim visíveis.

  • Use agenda, checklist e lembretes como apoio, não como punição.

  • Elogie estratégias e persistência, não apenas notas ou rapidez.

  • Converse em particular sobre dificuldades para proteger a autoestima.

O que eu procuro em uma avaliação

Eu reúno a história do desenvolvimento, exemplos de casa e da escola e o impacto na aprendizagem, nas relações e no bem-estar. Também investigo outras explicações e condições associadas. Questionários podem ajudar a organizar informações, mas não substituem uma avaliação clínica. Quando há TDAH, o plano deve respeitar as necessidades, os pontos fortes e a realidade da menina e de sua família.

Evite apresentar a hipótese como certeza para sua filha ou para a escola antes da avaliação. O objetivo é compreender e apoiar, não criar um novo rótulo.

Fontes que usei para esta orientação

Sobre a autora

Dra. Mônica Iovanovich - Médica | CRM 52-110005-0

Sou médica, mãe e fundadora do Espaço Mentes Pequeninas. Minha atuação é dedicada a compreender o desenvolvimento e a saúde mental de crianças e adolescentes, acolhendo também as dúvidas, a sobrecarga e as decisões das famílias. Atuação em Psiquiatria e Saúde Mental da Infância e Adolescência.

Autoria e responsabilidade editorial: Dra. Mônica Iovanovich, CRM 52-110005-0. Conteúdo informativo, sem diagnóstico individual pela internet.

Sua filha parece se esforçar muito para dar conta?

Se você percebe sofrimento, queda de rendimento, desorganização persistente ou exaustão para acompanhar a rotina, pode conversar com a minha equipe. Vamos ouvir a história e explicar quais informações ajudam em uma avaliação.

 
 
 

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