TDAH em meninas: sinais que podem passar despercebidos
- Dra. Mônica Iovanovich
- 25 de jan. de 2023
- 3 min de leitura
Atualizado: 16 de jul.
Por Dra. Mônica Iovanovich
Médica | CRM 52-110005-0 | Atuação em Psiquiatria e Saúde Mental da Infância e Adolescência
Por que eu faço esta pergunta de outro jeito
O TDAH não é definido por ser menino ou menina, mas pode ser percebido de maneiras diferentes. Algumas meninas apresentam menos comportamentos que interrompem a sala e mais desatenção, desorganização, esquecimento, fala excessiva, impulsividade emocional ou esforço para esconder as dificuldades. Quando não incomodam os adultos, elas podem receber ajuda mais tarde.
Uma frase que merece atenção é: ela consegue, mas precisa se esforçar muito mais do que parece. Às vezes, a menina mantém boas notas, copia tarefas de colegas, perde horas para começar um trabalho e termina o dia esgotada. O resultado final pode esconder o custo emocional e prático. Eu não avalio apenas desempenho; avalio o esforço, a consistência e o impacto na vida.
Sinais que podem ficar escondidos
Esquecer materiais, instruções ou compromissos com frequência.
Demorar muito para iniciar ou terminar tarefas, mesmo quando conhece o conteúdo.
Parecer estar ouvindo, mas perder partes importantes da explicação.
Falar muito, interromper, agir antes de pensar ou apresentar inquietação menos visível.
Ter reações emocionais intensas diante de erros, críticas ou frustrações.
Usar perfeccionismo, excesso de esforço ou ajuda constante para compensar a desorganização.
Apresentar sofrimento, conflitos, baixa autoestima ou ansiedade associados às dificuldades.
Nenhum desses sinais confirma TDAH. Ansiedade, dificuldades de aprendizagem, alterações de sono, depressão, autismo e outras condições podem produzir experiências semelhantes ou coexistir. Por isso, eu investigo o padrão desde a infância, a presença em mais de um ambiente e o prejuízo real.
Ferramenta prática: duas colunas e duas semanas
Crie duas colunas: o que os adultos veem e quanto esforço isso custa para ela. Durante duas semanas, registre exemplos curtos em casa e peça à escola observações concretas, sem sugerir um diagnóstico.
O que aconteceu antes da dificuldade.
Qual tarefa ela precisava realizar.
Quanto apoio, repetição ou tempo extra foi necessário.
Como ela se sentiu depois.
O que ajudou sem aumentar a vergonha ou a cobrança.
Como apoiar enquanto você observa
Dê uma instrução por vez e confirme o que foi compreendido.
Divida trabalhos longos em etapas com começo e fim visíveis.
Use agenda, checklist e lembretes como apoio, não como punição.
Elogie estratégias e persistência, não apenas notas ou rapidez.
Converse em particular sobre dificuldades para proteger a autoestima.
O que eu procuro em uma avaliação
Eu reúno a história do desenvolvimento, exemplos de casa e da escola e o impacto na aprendizagem, nas relações e no bem-estar. Também investigo outras explicações e condições associadas. Questionários podem ajudar a organizar informações, mas não substituem uma avaliação clínica. Quando há TDAH, o plano deve respeitar as necessidades, os pontos fortes e a realidade da menina e de sua família.
Evite apresentar a hipótese como certeza para sua filha ou para a escola antes da avaliação. O objetivo é compreender e apoiar, não criar um novo rótulo.
Fontes que usei para esta orientação
Sobre a autora
Dra. Mônica Iovanovich - Médica | CRM 52-110005-0
Sou médica, mãe e fundadora do Espaço Mentes Pequeninas. Minha atuação é dedicada a compreender o desenvolvimento e a saúde mental de crianças e adolescentes, acolhendo também as dúvidas, a sobrecarga e as decisões das famílias. Atuação em Psiquiatria e Saúde Mental da Infância e Adolescência.
Autoria e responsabilidade editorial: Dra. Mônica Iovanovich, CRM 52-110005-0. Conteúdo informativo, sem diagnóstico individual pela internet.
Sua filha parece se esforçar muito para dar conta?
Se você percebe sofrimento, queda de rendimento, desorganização persistente ou exaustão para acompanhar a rotina, pode conversar com a minha equipe. Vamos ouvir a história e explicar quais informações ajudam em uma avaliação.
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