Gratidão ajuda na depressão infantil? Como usar sem minimizar a dor
- Dra. Mônica Iovanovich
- 25 de jan. de 2023
- 2 min de leitura
Atualizado: 16 de jul.
Por Dra. Mônica Iovanovich
MÉDICA | CRM 52-110005-0 | Atuação em Psiquiatria e Saúde Mental da Infância e Adolescência
Uma atividade positiva não deve silenciar um sofrimento real
Exercícios de gratidão podem criar momentos de conexão e atenção ao que foi significativo, mas não tratam sozinhos a depressão infantil. Quando a criança está deprimida, insistir em pensar positivo pode aumentar culpa e sensação de não ser compreendida.
Eu gosto de atividades simples quando elas abrem conversa, não quando viram obrigação emocional. Uma criança pode reconhecer algo bom e continuar triste. As duas experiências cabem no mesmo dia, e a tristeza persistente precisa ser avaliada.
Quando a atividade deixa de ajudar
A criança sente que precisa esconder tristeza para agradar.
O adulto usa gratidão para encerrar uma conversa difícil.
A tarefa vira cobrança diária ou comparação com quem sofre mais.
Há perda de interesse, isolamento, irritabilidade ou queda de funcionamento.
Aparecem pensamentos de morte, autoagressão ou desesperança.
Ferramenta prática: três versões de uma pergunta
Em vez de exigir três coisas boas, ofereça escolhas: o que foi um pouco menos difícil hoje? Quem ajudou você? Houve um momento que gostaria de guardar? Aceite não sei como resposta e preserve a conversa.
O que você pode fazer agora
Faça a atividade junto, sem corrigir a resposta.
Use desenhos, fotos ou objetos para crianças menores.
Não transforme a prática em condição para receber ajuda.
Procure avaliação se o humor e o funcionamento mudaram por semanas.
Quando uma avaliação pode ajudar
Depressão em crianças e adolescentes exige avaliação de sintomas, risco, família, escola, bullying, sono, saúde e outras condições. O tratamento pode envolver psicoterapia, apoio familiar e outras intervenções individualizadas; atividades de bem-estar são complementares.
Se houver autoagressão, fala sobre morte, plano suicida ou risco imediato, permaneça com a criança, retire meios de lesão e procure uma emergência ou ligue para o SAMU 192. O CVV atende pelo 188.
Fontes que usei para esta orientação
Sobre a autora
Dra. Mônica Iovanovich - MÉDICA | CRM 52-110005-0
Sou médica, mãe e fundadora do Espaço Mentes Pequeninas. Minha atuação é dedicada a compreender o desenvolvimento e a saúde mental de crianças e adolescentes, acolhendo também as dúvidas, a sobrecarga e as decisões das famílias. Atuação em Psiquiatria e Saúde Mental da Infância e Adolescência.
Autoria e responsabilidade editorial: Dra. Mônica Iovanovich, CRM 52-110005-0. Conteúdo informativo, sem diagnóstico individual pela internet.
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Se seu filho parece ter perdido interesse, esperança ou energia, podemos avaliar o sofrimento com seriedade e orientar um plano de cuidado.
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