TDAH ou birra? Como diferenciar as crises do seu filho
- Dra. Mônica Iovanovich
- 16 de jul.
- 2 min de leitura
Por Dra. Mônica Iovanovich — CRM 52-110005-0
"Ele fez um escândalo no mercado inteiro. As pessoas olhando, e eu sem saber se eu deveria impor limite ou se aquilo era outra coisa." Uma mãe me contou isso chorando, não pela crise em si, mas pelo julgamento silencioso ao redor — e pela dúvida que ficou martelando depois: será que eu não sei educar, ou tem algo além da birra ali?
Essa dúvida é mais comum do que parece, e ela não nasce de fraqueza materna. Nasce porque, de fora, uma birra comum e uma crise de desregulação podem parecer exatamente iguais. Só que, por dentro, são coisas bem diferentes.
Por que as duas se parecem por fora
A birra tradicional geralmente tem uma função clara: a criança quer algo, não consegue, e reage. Ela costuma diminuir quando o limite é sustentado com calma, e a criança se acalma relativamente rápido quando entende que aquele caminho não vai funcionar.
Já a crise ligada à desregulação — comum em crianças com TDAH, mas também em outras condições do neurodesenvolvimento — não é sobre "querer algo e não conseguir". É sobre um sistema nervoso sobrecarregado que perdeu a capacidade de se autorregular naquele momento. Ela pode surgir sem motivo aparente, durar bem mais tempo, e paradoxalmente diminuir não com limite, mas com acolhimento e redução de estímulo.
O que observar, sem transformar isso em teste
Não existe uma regra fixa que separe as duas com certeza — e desconfie de qualquer conteúdo que prometa isso. O que ajuda de verdade é observar o padrão ao longo do tempo: isso acontece só em casa ou também na escola? A intensidade é proporcional ao motivo? O que costuma ajudar a criança a se acalmar? Essas observações, feitas com calma e sem pressa de rotular, são exatamente o material mais valioso que você pode trazer para uma consulta.
Você não está fazendo errado
Se você chegou a duvidar da sua própria capacidade de educar, eu quero te dizer com todas as letras: pais de crianças com desregulação frequente costumam ser, na verdade, extremamente atentos e dedicados — é exatamente por isso que a dúvida chegou até você. Estratégias que funcionam com a maioria das crianças simplesmente não funcionam do mesmo jeito quando existe uma diferença no neurodesenvolvimento por trás. Isso não é falha sua.
O próximo passo é conversa, não julgamento
Uma avaliação não existe para colar um rótulo às pressas. Existe para entender, com calma, o que está por trás das crises do seu filho — e te dar ferramentas reais, adequadas à criança que você tem, não à criança dos livros.
Agende uma avaliação em psiquiatria: https://www.espacomentespequeninas.com.br/service-page/avaliação-em-psiquiatria
Este texto tem caráter informativo e não substitui uma avaliação clínica individualizada. Cada criança e cada família têm uma história própria, e é essa história que deve guiar qualquer decisão sobre acompanhamento profissional.


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